Transformar o jornalismo pela acessibilidade comunicativa
Repensar o campo e a profissão a partir da sala de aula
DOI:
https://doi.org/10.25200/SLJ.v15.n1.2026.638Keywords:
communicative accessibility, training of journalists, changes in journalism, access to informationAbstract
PT. O artigo objetiva discutir adaptações e transformações do jornalismo com vistas à acessibilidade comunicativa e resulta de parte da pesquisa de mestrado. Problematiza-se o direito constitucional de acesso das pessoas com deficiência à informação e à comunicação e tensiona-se a ausência de práticas acessíveis do mercado de trabalho do jornalismo. A falta de tecnologias assistivas para as pessoas com deficiência exclui milhares delas da possibilidade de acesso e, consequentemente, de garantia da cidadania. Para discutir tais questões, recupera-se a historicidade do jornalismo brasileiro e o princípio das escolas de formação para reafirmar as mídias como deficientes (Bonito & Guimarães, 2023), ou seja, que não inserem estes públicos como preocupação para o consumo nem na narrativa oficial. Com isso, públicos com deficiências diversas ficam exilados da possibilidade de escolher por qual meio se informar (Wobeto & Borelli, 2025). Por meio de análise documental (Moreira, 2009), entrevistas semi-estruturadas e estruturadas (Duarte, 2010), triangulam-se dados para mapear as iniciativas de inserção da acessibilidade comunicativa em currículos de cursos de Jornalismo de instituições federais brasileiras. De 22 universidades analisadas, apenas seis têm disciplinas que abordam a acessibilidade comunicativa. Aquelas que são específicas da temática são optativas, o que exige a possibilidade de oferta para que as e os estudantes possam escolher cursá-las. Apresenta-se e discute-se exemplos de práticas acessíveis para as pessoas com deficiência na formação de jornalistas. Também faz-se relato de experiência da inserção da pesquisadora em sala de aula, por meio da docência orientada vinculada à pesquisa participante (Peruzzo, 2010), em que experimentou-se práticas pedagógicas de ensino de acessibilidade comunicativa em duas disciplinas (sendo uma delas criada a partir da dissertação). Com isso, foi possível elaborar 20 premissas para a inserção da acessibilidade comunicativa na formação de jornalistas e, consequentemente, são feitas proposições teóricas e práticas para esta inserção, que deve ser transversal.
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FR. Cet article, issu d’une recherche de master, examine les adaptations et évolutions du journalisme dans une optique d’accessibilité communicationnelle. Il interroge le droit constitutionnel d’accès à l’information et à la communication pour les personnes en situation de handicap, face à l’absence de pratiques accessibles sur le marché du travail journalistique. Le manque de technologies d’assistance exclut des milliers de personnes d’un tel accès, ce qui entrave l’exercice de leur citoyenneté. Nous replaçons ces questions dans le contexte historique du journalisme brésilien et revenons sur le principe des écoles de formation pour réaffirmer que les médias sont déficients (Bonito & Guimarães, 2023), en ce sens qu’ils ne tiennent compte de ces publics dans leur stratégie d’audience, ni dans leur discours officiel. Des publics porteurs de divers handicaps sont ainsi privés de la possibilité de choisir par quel moyen s’informer (Wobeto & Borelli, 2025). À partir d’une analyse documentaire (Moreira, 2009) et d’entretiens semi-structurés ou structurés (Duarte, 2010), nous avons triangulé les données pour cartographier les initiatives d’insertion de l’accessibilité communicationnelle dans les cursus de journalisme des établissements fédéraux brésiliens. Sur les 22 universités analysées, seules six dispensent des cours qui aborde cette question. Les matières qui y sont spécifiquement consacrées sont facultatives et doivent donc être proposées pour que les étudiants puissent choisir de les suivre. Nous présentons et discutons ici plusieurs exemples de pratiques accessibles aux personnes en situation de handicap au sein de la formation des journalistes. Nous partageons également une expérience d’insertion de la chercheuse en salle de cours dans le cadre d’une recherche participante (Peruzzo, 2010), durant laquelle des pratiques pédagogiques d’enseignement de l’accessibilité communicationnelle ont été mise en place dans deux matières (dont l’une a été créée à partir du mémoire de master). Sur cette base, il a été possible de dégager 20 principes pour intégrer l’accessibilité communicationnelle dans la formation des journalistes, puis de formuler des propositions théoriques et pratiques en vue de cette intégration, qui doit être transversale.
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EN. This article discusses adaptations and transformations in journalism with a view to communicative accessibility and is based on part of the author’s master’s research. It examines the constitutional right of people with disabilities to access information and communication and highlights the lack of accessible practices within the journalism sector. The lack of assistive technologies for people with disabilities excludes thousands from the possibility of access and, consequently, from the guarantee of citizenship. To discuss these issues, the paper revisits the history of Brazilian journalism and the principles of training institutions to highlight the media’s shortcomings (Bonito & Guimarães, 2023), namely that they do not include these audiences as a priority for consumption or in the official narrative. As a result, audiences with various disabilities are excluded from the possibility of choosing their preferred source of information (Wobeto & Borelli, 2025). Through document analysis (Moreira, 2009) and semi-structured and structured interviews (Duarte, 2010), data is triangulated to map initiatives aimed at incorporating communicative accessibility into the curricula of journalism courses at Brazilian federal institutions. Of the 22 universities analysed, only six offer modules which address communicative accessibility. Those that are specific to the subject are optional, which means that students have to know they are available to be able to take them. In this article, examples of accessible practices for people with disabilities in journalism training are presented and discussed. The paper also reports on the researcher’s classroom experience, through teaching guided by participatory research (Peruzzo, 2010), in which pedagogical practices for teaching communicative accessibility were tested in two courses (one of which was developed from the author’s dissertation). As a result, 20 premises for the integration of communicative accessibility into journalism training have been formulated; consequently, theoretical and practical proposals are put forward for this integration, which should be transversal.
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