Reportando memórias a partir da patrimonialização

Narrativas jornalísticas em campos de concentração do Brasil

Auteurs-es

DOI :

https://doi.org/10.25200/SLJ.v15.n1.2026.667

Mots-clés :

journalisme, camp de concentration, Ceará, mémoire, patrimoine

Résumé

PT. Durante a seca de 1932, o Estado Brasileiro implementou 7 campos de concentração no Estado do Ceará para contenção dos fluxos migratórios. Essa história, marcada por silenciamentos e disputas de narrativas, é retomada com maior fôlego em 2019, com a patrimonialização do Sítio Histórico do Campo do Patu pela Prefeitura de Senador Pompeu que, além do reconhecimento institucional, mobilizou produções jornalísticas em caráter expressivo de editorias nacionais e internacionais. Ao mapearmos produções decorrentes do marco patrimonial, tornou-se notório como ele e constituiu como um acontecimento que tanto admite compreensões ao caso histórico, quanto mobiliza outros agentes a se relacionarem com as narrativas que, com ele, são admitidas. Considerando que iniciativas jornalísticas realizam adesões e recusas ao que é narrado pelo marco patrimonial, passamos a investigar produções para observarmos os distintos agenciamentos exercitados. Neste trabalho, priorizamos as produções que se estruturam em formatos verbais – prioritariamente, publicações online e impressas – que constam um corpus de 12 trabalhos. A partir delas, podemos notar as tomadas de posição agenciadas por jornalistas – e suas empresas – ao narrar o caso; para, assim, observarmos as aproximações e os distanciamentos entre tais iniciativas. Nos interessa pensar que estas elaborações textuais se dão como proposições de memórias sobre os acontecimentos que envolvem os confinamentos instituídos na de cada de 30 e sobre as dinâmicas sociais e políticas que os tornavam possíveis; ao passo que, para isso, revelam as condições de narrar que são possíveis no momento histórico em que são produzidas. Assim, este artigo investiga as agências narrativas que fundamentam estas produções para, então, discutirmos as relações entre gestos de memória e jornalismo.

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FR. Pendant la sécheresse de 1932, l’État brésilien a aménagé sept camps de concentration dans l’État du Ceará en vue de contenir les flux migratoires. Longtemps mise sous silence et marquée par une guerre des récits, cette histoire est revenue sur le devant de la scène en 2019, lorsque la mairie de Senador Pompeu a inscrit le site historique de Campo do Patu au patrimoine. Au-delà de la reconnaissance institutionnelle, cet acte a fait l’objet d’une importante couverture médiatique dans la presse nationale et internationale. En recensant les productions découlant de ce processus de patrimonialisation, il est apparu clairement que celui-ci s’est constitué en événement qui, d’une part, permet diverses interprétations de ce cas historique et, d’autre part, incite d’autres acteurs à se positionner par rapport aux récits qu’il autorise. Considérant que les initiatives journalistiques manifestent des formes d’adhésions ou de refus vis-à-vis de ce qui est narré par l’acte patrimonial, nous avons entrepris d’analyser ces productions pour observer les différents agencements à l’œuvre. Dans cette étude, nous avons privilégié les productions textuelles – principalement des publications en ligne et imprimées –, qui composent un corpus de 12 travaux. À partir de ces productions, nous pouvons identifier les prises de position des journalistes – et de leurs entreprises – dans la mise en récit du cas, puis observer les convergences et les divergences entre ces initiatives. Nous proposons de considérer que ces élaborations textuelles se présentent comme des propositions de mémoire sur les événements liés aux confinements instaurés dans les années 1930, ainsi que sur les dynamiques sociales et politiques qui les ont rendus possibles ; ce faisant, elles révèlent les conditions de narration possibles au moment historique où elles sont produites. Ainsi, cet article examine les agentivités narratives qui sous-tendent ces productions, pour interroger ensuite les relations entre gestes de mémoire et journalisme.

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EN. During the drought of 1932, the Brazilian government established seven concentration camps in the state of Ceará to curb migratory flows. This history, marked by silences and disputes over narratives, was revisited with renewed vigour in 2019, with the designation of the Campo do Patu Historical Site as a heritage site by the Senador Pompeu Municipal Council, which, in addition to institutional recognition, prompted significant journalistic coverage in national and international media. In mapping the journalistic coverage arising from the heritage designation, it became evident how it functioned as an event that both facilitated understanding of the historical case and mobilised other actors to engage with the narratives it enabled. Given that journalistic initiatives both endorse and reject what is narrated by the heritage landmark, we go on to investigate these reports to observe the distinct forms of agency at play. In this study, we prioritised reports structured in verbal formats – primarily online and print publications – comprising a corpus of 12 works. From these, we can observe the stances taken by journalists – and their employers – in their reporting of the case, thereby enabling us to note the similarities and differences between such approaches. We are interested in considering that these textual constructions function as propositions of memory regarding the events surrounding the lockdowns imposed on 30th March and the social and political dynamics that made them possible. These dynamics reveal the conditions of narration that are possible at the historical moment in which they are produced. Thus, this article investigates the narrative agencies underpinning these productions in order to discuss the relationships between acts of memory and journalism.

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Biographie de l'auteur-e

Daniel Macêdo, Universidade Federal de Ouro Preto

Doutor em Comunicação e Sociabilidades Contemporâneas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Docente no Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto. 

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Publié-e

24-06-2026

Comment citer

Macêdo, D. (2026). Reportando memórias a partir da patrimonialização: Narrativas jornalísticas em campos de concentração do Brasil. Sur Le Journalisme, About Journalism, Sobre Jornalismo, 15(1), 168–181. https://doi.org/10.25200/SLJ.v15.n1.2026.667